Trajetória pública de Israel Pinheiro e sua contribuição para Minas Gerais e o Brasil
NASCIMENTO E MORTE DO PAI
Nasceu em 4 de janeiro de 1896, no antigo “Solar do Tinoco”, atual Museu Casa João e Israel Pinheiro em Caeté – MG. É o quinto dos 12 filhos do casal João Pinheiro da Silva e Helena de Barros.
Aos dez anos de idade mudou-se com a família para Belo Horizonte, por ocasião da posse do pai como Governador de Minas Gerais. Passou a residir no Palácio da Liberdade, e a estudar no antigo Ginásio Mineiro, na tradicional Rua da Bahia.
Em 1908, morre João Pinheiro da Silva, enquanto exercia o cargo de governador de Minas Gerais. Endividada, a família passou por dificuldades financeiras, sendo amparada por amigos. Através de uma grande mobilização, Dona Helena de Barros recebeu uma casa via subscrição pública, na atual Avenida João Pinheiro.
O ALUNO ISRAEL PINHEIRO
Em 1909, Israel matriculou-se como aluno interno no Colégio Preparatório Santo Estanislau (atual Colégio Anchieta) de Nova Friburgo no Rio de Janeiro (RJ), confiado aos padres da Companhia de Jesus (Jesuítas). Lá permaneceu até o fim de 1911. Todo o curso foi financiado por Luís de Vasconcelos, amigo da família.
Com seu próprio empenho, foi admitido no exame para a Escola de Minas de Ouro Preto, onde se formou como engenheiro. Formou-se em 1919, e como prêmio por ter sido o melhor aluno de todo o curso, viajou à Europa.
VEREADOR E PREFEITO DE CAETÉ
Após retornar da Europa, assumiu os negócios da família em Caeté. Elegeu-se vereador pela cidade em 1922 e, no ano seguinte, foi nomeado agente executivo de Caeté (cargo equivalente ao de prefeito). Já em 1924 casou-se com Dona Coracy de Mendonça Uchôa, filha de um médico do estado de Alagoas.
Pouco depois, em 1925, perdeu seu irmão mais novo. José Pinheiro, estudante de Belas Artes no Rio de Janeiro.
ISRAEL NA POLÍTICA NACIONAL
Em 1933, Israel foi escolhido para chefiar a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais pelo então interventor, Benedito Valadares. Elabora um plano de desenvolvimento, cujos pontos principais são a agricultura e os transportes no estado. Participou da criação da “Cidade Industrial” de Contagem, dando continuidade aos sonhos de seu pai, João Pinheiro, grande entusiasta destas iniciativas.
Em meio aos trabalhos em Minas, foi escolhido pelo presidente Getúlio Vargas para integrar a Comissão que discutiu acordos econômicos como o governo do Estados Unidos durante a Segunda Grande Guerra, em 1941.
Já em 1946, foi eleito deputado federal pelo PSD – Partido Social Democrata. Apresentou projetos na área econômica e, preocupado em interiorizar o desenvolvimento, começa a luta pela transferência da capital para o Planalto Central. Como ponto alto de seu mandato, apresentou projeto que definia o terreno onde seria erguida a nova capital do país. Nascia assim a nova capital do Brasil: Brasília.
ISRAEL E BRASÍLIA
Em 1956, Juscelino Kubitscheck convida Israel Pinheiro para presidir a NOVACAP (Companhia Urbanizadora da Nova Capital). Aceitando o convite, renuncia imediatamente ao mandato de deputado federal.
Junto a JK, Israel lidera a construção de Brasília. Pensando no futuro, contribui para a demarcação das chamadas “cidades satélites” do Distrito Federal, que passaram a abrigar boa parte dos construtores da cidade, conhecidos como “Candangos”.
Após três anos e seis meses, celebra junto aos seus a grande conquista. Brasília é inaugurada em 21 de abril de 1960, e Israel é nomeado seu primeiro prefeito.
ISRAEL GOVERADOR DE MINAS
Eleito governador de Minas em 1966, em pleno Regime Militar, Israel mantem-se filiado ao Partido Social Democrata – PSD. No discurso de posse, destacou que as ideias de seu pai, João Pinheiro, permaneciam “vivas e oportunas”. Em 1971, concluiu as obras do Palácio das Artes, entregando-o ao povo mineiro.
MORTE
Em 06 de julho de 1973, morre Israel Pinheiro em Belo Horizonte – MG, vitimado pelas complicações de um infarto. Atendendo a seu próprio desejo, foi sepultado junto ao pai, João Pinheiro, no mausoléu da família na histórica Igreja do Rosário em Caeté – MG. Antes, porém, o corpo foi velado com honras de Chefe de Estado no Palácio da Liberdade, local que por duas ocasiões foi sua casa.
Representando o então presidente, General Médici, compareceu ao funeral o então Ministro da Educação, Jarbas Passarinho, além do governador de Minas, Rondon Pacheco e o prefeito da capital mineira, Oswaldo Pierucetti.
Um dia após sua morte, o jornalista e cronista Nelson Rodrigues descreveu Israel para a posteridade.
“Ele me importa e impressiona como o grande homem… Dizia o poeta que o gênio é o que acompanha a natureza. Assim foi Israel Pinheiro. Força da natureza, ele ventava, chovia, trovejava, relampejava…”