Ideias que permanecem
João Pinheiro é considerado pioneiro e formulador intelectual do chamado “desenvolvimentismo” no Brasil. Sua visão focava no papel estratégico do Estado, na modernização da educação, infraestrutura e na defesa da diversificação econômica para garantir a emancipação regional do país.
Fortemente influenciado pelo positivismo republicano, João Pinheiro defendia o Estado como o principal motor do desenvolvimento nacional e regional. Em 1903, conduzindo o Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de Belo Horizonte, João destacou a diversificação produtiva como eixo vital para a economia mineira. Na ocasião, foi aclamado pelos colegas como candidato ao Senado por Minas Gerais, cargo para qual foi eleito em 1905.
João Pinheiro também compreendia que a valorização do interior e a integração por meio de ferrovias eram, à época, essenciais para o progresso de Minas. Falecido em 1908, o legado desenvolvimentista de João Pinheiro continuou vivo na alma de dois famosos mineiros: Israel Pinheiro e Juscelino Kubitscheck.
JUSCELINO E ISRAEL: HERDEIROS DO DESENVOLVIMENTISMO
Nas décadas seguintes, o pensamento de João Pinheiro continuou a reverberar por meio de seus familiares e sucessores políticos, moldando não somente a identidade econômica, mas também a política em Minas.
As ideias de modernização econômica e integração foram o “evangelho” de Israel Pinheiro, governador de Minas e construtor de Brasília. As propostas de João também foram seguidas pelo presidente JK, que aplicou em larga escala a lógica desenvolvimentista baseada em energia (criação de hidroelétricas), transportes e integração nacional.
Anos depois da inauguração de Brasília, o presidente JK afirmou “orgulhar-se de haver retomado a advertência de João Pinheiro, que sonhou com uma pátria povoada e integrada, levando a sede do governo central da orla marítima para o interior do país”. Esta fala se deu durante as celebrações do centenário do nascimento de João Pinheiro no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), criado pelo estadista.
Juscelino, João e Israel articulam-se em torno desta mesma matriz simbólica e política: o desenvolvimentismo, constituído por práticas, valores e concepções de ação política voltados à promoção do progresso econômico.